Caro leitor(a),
bem-vindo a esta edição #17 da Mocha Money: The Investor's Brew, onde unimos a arte de ganhar dinheiro com a simplicidade de saborear o seu cafezinho.
Existe uma frase antiga no mercado brasileiro: "ano eleitoral é quando o patrimônio muda de mãos". Não é dramática — é descritiva. A cada quatro anos, o Brasil reabre simultaneamente três conversas que afetam diretamente a sua riqueza: a fiscal, a tributária e a institucional. Quem se prepara antes, atravessa. Quem reage depois, paga a conta.
A ideia desta edição nasceu de uma palestra que dei no início do ano. Saí de lá honestamente assustado: pessoas com patrimônio relevante, gente inteligente e bem-sucedida, desconheciam por completo pontos cruciais para a própria riqueza, de exposição cambial a sucessão. Não por falta de capacidade, mas porque quase ninguém explica isso com franqueza. Resolvi escrever o que eu gostaria que tivessem contado a elas antes.
Esta edição é sobre como atravessar 2026 do lado certo da equação. Vou tratar destes pontos:
- Por que este ano eleitoral é diferente
- O que os dados das últimas eleições efetivamente mostram sobre câmbio, bolsa e renda fixa
- Os três movimentos que famílias preparadas fazem ANTES de outubro
- Os três erros que destroem patrimônio em ano eleitoral
- ITCMD, doação em vida e a janela que já está se fechando
- A pergunta que separa quem se posiciona de quem reage
- Um caso ilustrativo: a decisão que vale o planejamento
Este artigo é longo, confesso. Mas patrimônio decisivo se constrói em ciclos de quatro anos, não em posts. Meu objetivo aqui não é te dar um palpite eleitoral: é te entregar um manual de calibração com base em dado, que funcione em qualquer cenário plausível. Vamos lá.
1) Por que este ano eleitoral é diferente
Cada eleição tem uma narrativa própria. A de 2026 chega com três pressões simultâneas que não estavam alinhadas nas duas últimas:
I. Reforma tributária em fase de regulamentação. A Emenda Constitucional 132/2023 foi aprovada e a Lei Complementar 214/2025 está sendo desenhada e implementada agora. A parte que mexe diretamente no seu bolso (IBS, CBS, alíquotas setoriais, regime de transição) está em pleno período eleitoral. Isso significa que a decisão de como o seu patrimônio será tributado nos próximos anos é, em parte, política. E política em ano eleitoral muda mais rápido do que parece.
II. Pressão fiscal estrutural. O arcabouço fiscal está sendo testado a cada nova revisão de receita e a dívida pública federal segue em patamar elevado em relação ao PIB (Fonte: Relatório Mensal da Dívida, Tesouro Nacional). Em anos eleitorais com fiscal frágil, o prêmio de risco do Brasil costuma subir, e o que sobe primeiro é o dólar e a curva de juros longos. Quem está 100% em real absorve o impacto sem hedge.
III. Progressividade obrigatória do ITCMD. A própria EC 132/2023 tornou a progressividade do imposto sobre herança e doação obrigatória em todos os estados. O que está em discussão agora não é se a tributação sobre transmissão vai mudar: é o ritmo de cada estado e a alíquota máxima definida em projeto no Senado. Quem doa hoje, dentro das regras vigentes no seu estado, ancora alíquota antiga. Quem espera o desfecho legislativo, joga sob regra nova.
O leitor crítico já está pensando: "isso vale para qualquer eleição." Está certo em parte. A diferença é que, desta vez, as três conversas se sobrepõem na mesma janela. E nenhuma é cosmética.
2) O que os dados das últimas eleições efetivamente mostram
Não vou prever o ciclo de 2026 — quem promete previsão é charlatão, não assessor. Mas há padrões observáveis nos dados das eleições recentes, e convém olhá-los direto, sem mitologia. Puxei a série spot USD/BRL (Yahoo Finance, referência PTAX-equivalente) e calculei a variação cambial nas janelas pré e pós-eleitorais das últimas cinco eleições presidenciais. O resultado abaixo.
| Eleição | USD/BRL 6m antes do 1º turno | USD/BRL 1º turno | Δ% 6m antes → 1º turno | USD/BRL 2º turno | Δ% 2º turno → 3m depois |
|---|---|---|---|---|---|
| 2006 | 2,17 (mar/06) | 2,16 (set/06) | −0,2% | 2,13 (out/06) | +0,1% |
| 2010 | 1,77 (abr/10) | 1,70 (set/10) | −3,9% | 1,71 (out/10) | −4,6% |
| 2014 | 2,28 (abr/14) | 2,49 (out/14) | +9,5% | 2,50 (out/14) | +3,3% |
| 2018 | 3,34 (abr/18) | 3,87 (out/18) | +15,9% | 3,70 (out/18) | +1,8% |
| 2022 | 4,74 (mar/22) | 5,40 (set/22) | +13,9% | 5,34 (out/22) | −4,3% |
Três observações honestas sobre essa tabela:
I. O padrão de pressão sobre o real existe, mas é fenômeno das três últimas eleições. Em 2014, 2018 e 2022, o real cedeu entre 9,5% e 15,9% nos seis meses anteriores ao primeiro turno. Em 2018, a alta passou de 15%; em 2022, de 13%. Média das três últimas: cerca de 13%.
II. Em 2006 e 2010, o oposto. O real apreciou levemente no mesmo período. Era outro Brasil: supercycle de commodities a pleno vapor, fiscal mais limpo, ambiente externo amigável. Quem extrapola a média dos últimos 20 anos sem segmentar erra a leitura.
III. A janela pós-eleitoral é mais mista. Depende da clareza da transição e do enquadramento do novo governo no arcabouço fiscal. Em 2010 e 2022, o real apreciou no trimestre seguinte ao 2º turno. Em 2014 e 2018, depreciou. Não há automatismo.
Em uma frase: a pressão pré-eleitoral sobre o real não é lei automática, mas é um padrão recorrente desde 2014. E a única forma de não depender dele é ter exposição internacional estruturalmente carregada: não tática, não reativa.
Bolsa e renda fixa, em uma leitura mais curta
Bolsa. A volatilidade aumenta. Setores regulados (utilities, bancos, estatais) reagem ao tom do debate eleitoral; setores exportadores (commodities, papel, celulose) reagem ao câmbio. A correlação intra-mercado costuma subir em períodos de estresse, princípio bem documentado na literatura de risco (Longin & Solnik, Journal of Finance, 2001) e visível na prática brasileira em 2014, 2018 e 2022.
Renda fixa. A curva de juros longos abre. Tesouro IPCA+ 2035, 2045 e 2055 negocia, em períodos de estresse pré-eleitoral, com prêmios superiores à média histórica (Fonte: ANBIMA, curva de juros real). Para quem entende marcação a mercado, é janela. Para quem só olha o saldo do mês, parece prejuízo. Quem confunde os dois, vende exatamente quando deveria comprar.
Síntese: em ano eleitoral, o risco Brasil tende a ter desconto. Quem tem exposição internacional usa o desconto a favor. Quem está concentrado, paga por ele.
3) Os três movimentos que famílias preparadas fazem ANTES de outubro
Não falo do que fazer "se ganhar X" ou "se ganhar Y". Falo do que fazer agora, independente do resultado.
Movimento 1 — Calibrar a dolarização (sem tentar acertar a mínima do câmbio)
Se você ainda tem menos de 20% do patrimônio fora do real (perfis moderados), ou menos de 35% (perfis arrojados com horizonte longo), você está descalibrado. Não para o cenário base; para o cenário de cauda.
A regra é simples: dolarizar gradualmente, ao preço médio, em ativos que não dependem do real para gerar caixa (treasuries americanos, bonds corporativos em USD, ETFs globais como VOO, VT ou BND, da Vanguard). A pior tática é a que mais gente repete: esperar o dólar "cair" para entrar. Como expliquei em detalhe na Edição #16, o dólar mais caro é o que você não tem. E os dados que apresentei na Seção 2 reforçam a tese: nas três últimas eleições, quem esperou perdeu, em média, mais de 13% só no semestre pré-1º turno.
Esses percentuais são referências de calibração, não recomendação individual: a alocação certa passa pelo seu perfil de suitability e pelo seu horizonte.
Movimento 2 — Antecipar decisões sucessórias antes que a regra fique mais cara
Doação em vida com reserva de usufruto, estruturação de holding patrimonial, sucessão organizada em testamento: todas essas decisões são mais baratas hoje do que serão depois de qualquer ajuste de alíquota máxima do ITCMD, que está em discussão no Senado.
A janela das alíquotas estaduais atuais não tem prazo público confirmado em todos os estados, mas a EC 132/2023 já tornou a progressividade obrigatória. O ritmo de implementação varia e a alíquota máxima nacional está em revisão. Adiar é apostar contra a direção que a lei já tomou.
Movimento 3 — Esticar duration na renda fixa real
Quando o IPCA+ negocia com prêmio elevado nos vencimentos longos, e o seu horizonte é a aposentadoria (10–25 anos), você não precisa "acertar o pico". Precisa travar a taxa. A marcação a mercado vai oscilar: você não vai vender. O que importa é o cupom indexado à inflação ao longo de duas décadas.
Em 2026, com o estresse fiscal e a eleição se aproximando, o Tesouro IPCA+ bateu recorde: o título de 2032 (com juros semestrais) cruzou os 8% de juro real em junho e chegou a 8,51% acima da inflação (Fonte: Tesouro Direto, via InfoMoney, jun/2026). E é raro mesmo: segundo a XP, taxas reais acima de 7,5% só apareceram em menos de 10% do tempo desde 2011. Travar um juro real desse patamar por prazo longo é a exceção, não a regra: a probabilidade de ver taxas assim de forma duradoura é baixa, porque essas janelas abrem em estresse e costumam fechar rápido.
4) Os três erros que destroem patrimônio em ano eleitoral
Erro 1 — Esperar o "depois das eleições"
É o erro mais caro, porque é o mais comum. "Vou decidir depois que sair o resultado."
O que essa frase esconde é: vou deixar o mercado decidir por mim. Os dados da Seção 2 são claros: nas três últimas eleições, quem esperou pagou, em média, ~13% mais caro pelo dólar no semestre pré-1º turno. O movimento certo não é prever: é se posicionar para qualquer cenário plausível.
Erro 2 — Trocar carteira por manchete
Tese de carteira não se altera por horário de eleição. Se a sua alocação foi feita para o seu objetivo de 15 anos, ela atravessa quatro ciclos eleitorais sem precisar ser reescrita.
Quem vende dólar porque a pesquisa virou, ou compra ações porque "o debate foi bom", está terceirizando para o telejornal a função que pagou um assessor para fazer.
Erro 3 — Concentração nacional disfarçada de patriotismo
Pesquisas de alocação da XP Internacional indicam que o investidor brasileiro mantém cerca de 98% do patrimônio dentro do Brasil, um dos maiores viéses domésticos do mundo (compatível com o peso do MSCI Brazil no MSCI ACWI, em torno de 1%). Em ano eleitoral, esse viés cobra a fatura mais cara. Diversificar não é desconfiar do país: é respeitar a matemática de uma carteira projetada para 30 anos.
5) ITCMD, doação em vida e a janela que já está se fechando
Aqui está o ponto cego mais caro do planejamento patrimonial no Brasil. A maioria das pessoas, inclusive famílias com patrimônio muito relevante, simplesmente ignora o ITCMD até a sucessão bater à porta. E boa parte dos profissionais que se dispõem a falar do tema trata com simplismo, quando não com erro: vende a "holding" como solução universal, sem a robustez jurídica que uma estrutura sucessória de verdade exige. Vou dedicar a seção mais técnica desta edição a fazer isso direito, com fontes diretas e sem atalho.
O que é, em uma frase técnica. ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) é o imposto estadual sobre herança e doação. A alíquota máxima nacional, hoje, é 8% (Resolução do Senado Federal nº 9, de 1992). Muitos estados praticam menos: São Paulo, por exemplo, pratica 4% (Lei estadual nº 10.705/2000, art. 16). A EC 132/2023 tornou a progressividade obrigatória em todos os estados, e tramita no Senado uma proposta para dobrar o teto, de 8% para 16% (Projeto de Resolução do Senado nº 57/2019). Hoje essa proposta não tem força: está parada. Mas "parada" não é "arquivada", e regra tributária no Brasil muda mais rápido do que se imagina. Em outras palavras: a alíquota que vale para você hoje pode não valer para o seu herdeiro amanhã.
Para lembrar o quão rápido: em 2025, o governo elevou o IOF por decreto para reforçar a arrecadação e, no mesmo pacote, passou a tributar os aportes maiores em previdência privada (IOF de 5% sobre VGBL acima de certos limites). O Congresso derrubou o aumento dias depois, o STF restabeleceu boa parte dele em seguida, e as regras foram remendadas mais de uma vez em poucas semanas. Não é para assustar ninguém. É só lembrar que regra tributária no Brasil muda rápido, e que ancorar a alíquota de hoje, enquanto ela ainda é a de hoje, é decisão de quem prefere não ser pego de surpresa.
Como uma família estruturada decide. Não é "doar tudo agora". É calibrar o ritmo da decisão sucessória ao seu plano patrimonial.
I. Reserva de usufruto. Doar a nua-propriedade do imóvel ou da participação societária e manter o usufruto vitalício é, na prática, organizar a sucessão sem perder o controle econômico. O imposto é pago hoje, na alíquota de hoje.
II. Doação em vida com cláusulas. Cláusulas de inalienabilidade, incomunicabilidade e impenhorabilidade protegem o herdeiro de divórcio, de credores e de gestão imatura. Isso é arquitetura, não burocracia.
III. Holding patrimonial. Concentrar patrimônio em uma PJ pode permitir distribuir cotas aos herdeiros como doação, manter governança via quotistas-administradores e simplificar a sucessão. Mas é aqui que mora a maior armadilha do tema: a holding virou, nas redes sociais, a "resposta para tudo". E não é. Ela não cabe em todo patrimônio, e montar uma sem propósito definido é despesa com cara de estratégia.
Na conta prática: uma holding tem custo de constituição, contabilidade e manutenção recorrentes, e a transferência de bens para ela pode gerar tributação (ITBI sobre imóveis, ganho de capital em certos casos). Ela só faz sentido quando a economia sucessória e a governança que ela entrega superam, com folga, esses custos ao longo do tempo, e quando está integrada ao resto: regime de bens, testamento, seguro, liquidez para pagar o próprio imposto. O que destrava valor não é a sigla "holding": é o desenho que faz sucessão, tributação, governança e liquidez conversarem entre si. Sem isso, é só uma PJ cara.
Um aviso necessário: usufruto, doação com cláusulas e holding são três exemplos, não uma lista exaustiva, e nenhum deles é receita de bolo. Cada um pode otimizar e potencializar o patrimônio da família de forma relevante, mas só com o devido amparo jurídico e desenhado caso a caso. É exatamente esse desenho sob medida, e a articulação fina com o jurídico, que estruturamos para os clientes na Valor.
A conta, no concreto. Tome um caso ilustrativo, representativo das famílias que atendo e cuja estrutura completa detalho no encerramento (Seção 7): empresário, R$ 12 milhões em patrimônio, três filhos. Só na conta do ITCMD, se ele não fizesse nada e a alíquota máxima subisse de 8% para 16% (o teto proposto no PRS 57/2019), a diferença de tributação na sucessão chegaria a cerca de R$ 960 mil (8% × R$ 12M). Em qualquer modelo razoável, adiar a decisão sucessória sai mais caro do que tomá-la cedo demais, desde que tomada com estrutura, não no susto.
6) A pergunta que separa quem se posiciona de quem reage
Há uma pergunta simples que toda família com patrimônio relevante deveria responder em 2026:
"Se as eleições terminassem amanhã com o cenário X, e amanhã com o cenário Y, o que mudaria na minha carteira em cada caso?"
Se a resposta for "muita coisa" para qualquer um dos cenários, a sua carteira não está calibrada — está apostando. Carteira bem desenhada atravessa cenários sem precisar ser reescrita. Esse é, na prática, o trabalho que faço com clientes: construir alocações que toleram resultados eleitorais sem precisar de releitura emergencial.
O leitor crítico vai dizer: "então é só diversificar." Não é. Diversificação intra-Brasil (bolsa, renda fixa, FII, multimercados nacionais) é, em risco, equivalente a estar comprado em um único país. Diversificação real exige outra moeda, outro país e, frequentemente, outra jurisdição.
7) Um caso ilustrativo: a decisão que vale o planejamento
É o mesmo caso ilustrativo da conta do ITCMD (Seção 5): empresário do setor industrial, R$ 12 milhões em patrimônio, três filhos. Agora a história completa. Em 2025, começamos a estruturar três frentes em paralelo:
- Holding familiar: sucessão organizada e blindada de mudanças no ITCMD.
- Exposição internacional: subindo de 4% para 28% gradualmente, ao preço médio, em treasuries, bonds e ETFs globais.
- Início de doação em vida: nua-propriedade da participação na empresa, com usufruto vitalício para o casal.
Em 2026, ele chega ao ano eleitoral com:
- ✓ 28% do patrimônio em ativos globais (USD): hedge contra a desvalorização do real, exposição às melhores oportunidades da economia real lá fora, diversificação de verdade e liquidez em moeda forte para as viagens internacionais frequentes da família.
- ✓ Holding constituída, com governança definida, sucessão organizada e proteção contra qualquer mudança no ITCMD que entre em vigor nos próximos anos.
- ✓ Renda fixa real travada em IPCA+ próximo de 6,5% para o horizonte de aposentadoria, independente do ciclo curto da Selic.
A escolha dele não foi adivinhar a eleição. Foi tornar o resultado eleitoral irrelevante para o seu patrimônio. Essa é, na prática, a definição de assessoria séria.
Conclusão
Ano eleitoral não muda patrimônio porque a política importa mais que a economia. Muda porque expõe quem estava descalibrado. A volatilidade não cria pobreza; revela a pobreza de preparação. Os dados das três últimas eleições deixam isso registrado: quem ficou parado pagou. A boa notícia é que a calibração se faz antes, com calma, sem ansiedade, sem manchete. A má notícia: depois de outubro, o custo de cada decisão sobe.
Se você construiu patrimônio relevante (a partir de R$ 1 milhão, e quanto maior o patrimônio, mais isso pesa), seja como empresário, sócio, médico, executivo ou investidor que já vive de renda, há três perguntas que precisam de resposta agora:
- Qual a sua exposição real ao risco Brasil?
- A sua estrutura sucessória está organizada para a regra de hoje, ou para a de amanhã?
- Você está calibrado para qualquer cenário eleitoral plausível, ou está apostando em um?
Uma segunda opinião sobre o seu patrimônio
Todo mês eu reservo um número pequeno de conversas para revisar, com franqueza, a carteira de quem já tem patrimônio relevante. Não é venda nem palestra: é uma análise estruturada de 45 minutos, entre quatro paredes, sobre três frentes:
- A sua exposição real ao risco Brasil (e ao real)
- A sua estrutura sucessória atual e o que cabe ajustar antes da próxima mudança de alíquota do ITCMD
- A calibração da carteira para os cenários eleitorais plausíveis de 2026
Quem leva o próprio patrimônio a sério raramente tem com quem falar dele sem que vire venda. Se você quer essa conversa, me mande uma mensagem direta. As poucas vagas do mês são por ordem de chegada; uma vez esgotadas, novas análises ficam condicionadas à liberação de agenda do time, conforme as atuais se encerram.
Fontes & nota metodológica
Série USD/BRL spot: Yahoo Finance (referência PTAX-equivalente), fechamento diário. Curva de juros real: ANBIMA. Dívida pública federal: Tesouro Nacional (RMD). Tributação sobre herança e doação: Resolução do Senado Federal nº 9/1992 e Lei estadual SP nº 10.705/2000. Proposta de elevar o teto do ITCMD de 8% para 16%: Projeto de Resolução do Senado nº 57/2019 (autoria do sen. Cid Gomes), em tramitação. Episódio do IOF em 2025 (Decreto nº 12.466/2025, que também passou a tributar aportes em VGBL com IOF de 5%; derrubada pelo Congresso via PDL 214/2025 e restabelecimento parcial pelo STF): Senado/Câmara, SUSEP e STF, mai–jul/2025. Reforma tributária: EC 132/2023 e LC 214/2025. Viés doméstico do investidor brasileiro: relatórios de alocação internacional da XP Internacional; compatível com o peso do MSCI Brazil no MSCI ACWI (~1%). Comportamento de correlação em estresse: Longin & Solnik, Journal of Finance, 2001. Recorde de juro real do Tesouro IPCA+ 2032 (8,51% em jun/2026): Tesouro Direto, via InfoMoney (22/06/2026). Estatística de taxas acima de 7,5% em menos de 10% do tempo desde 2011: XP (relatório de Mayara Rodrigues), via Seu Dinheiro (jun/2026). Cenário hipotético de alíquota de ITCMD a 16% é apresentado como ilustração, não como promessa.